A pátria Germânica

 A vida de Adolf Hitler

Hitler chegou em Munique em maio de 1913. Outros diversos motivos também foram plausíveis para sua saída de Viena, descritos em Mein Kampf: 1º) que, há muito tempo a Áustria deixara de ser um Estado de caráter alemão; 2º) que as condições internas daquele país cada vez mais tendiam para a desagregação. (HILTER, 2005, p.98). Ele  combateu ferozmente a política burguesa dos Habsburgos, pela falta de nacionalismo e pelas quais a Áustria tornou-se (…) vítima da eslavização (…) (HILTER, 2005, p.17). Ele acreditava que sua vida de dificuldade em Viena era reflexo das injustiças sociais a qual a sociedade mergulhou. O fato determinante para sua saída de Viena foi à intimação que recebeu por sua ausência no alistamento obrigatório no exército, enviada por parte da justiça de Linz.

Em sua estadia em Munique, Hitler alugou um quarto na Schileissheimerstrasse e continuou com a mesma rotina, produzindo uma pequena quantidade de quadros, com as paisagens mais conhecidas da cidade, levando uma vida sem luxo, porém mais confortável e sem muitos esforços, parecida com a de seus últimos anos no Lar dos Homens em Viena.

Como já mencionado anteriormente, Hitler estava com problemas com a justiça por seu não alistamento no serviço militar obrigatório. Após sua fuga premeditada para Munique, a Justiça de Linz, a partir de investigações, descobriu seu paradeiro: Ele ficou profundamente abalado quando um oficial da polícia criminal de Munique apareceu à porta de Frau Popp[5] na tarde de domingo, 18 de janeiro de 1914. (KESHAW, 2010, p.84). Hitler estava sujeito à prisão ou ao pagamento de uma multa altíssima. Ele foi levado até o consulado austríaco em Munique e, alegando sua péssima situação financeira, conseguiu do consulado um financiamento para sua ida para a Linz a fim de resolver sua situação com a justiça. Ao se apresentar às autoridades, foi dispensado, os recrutadores alegaram sua inaptidão física para os padrões do exército.

No centro da fotografia encontrava-se o jovem Adolf hitler na Odeonplatz, tomado pela euforia da entrada da Alemanha na Primeira Guerra Mundial, tirada pelo fotografo Hoffmann no mes de agosto de 1914

Desde o primeiro instante estava firmemente decidido, em caso de guerra – esta me parecia inevitável – abandonar os livros imediatamente. Ao mesmo tempo  sabia bem que o meu lugar seria aquele para onde me chamava a voz da consciência. Por motivos políticos, tinha preliminarmente abandonado a Áustria. Nada mais natural, pois, que agora se iniciava a luta, coerente com minhas opiniões políticas, eu assim procedesse. Não era meu desejo lutar pelo império dos Habsburgos. Estava pronto, porém, a morrer, em qualquer instante, pelo seu povo ou pelo governo que o representasse na realidade. (HITLER, 2005, p.123).

A entrada da Alemanha na guerra transformou-se em grande euforia nacional; em Munique uma grande multidão reuniu-se na Odeonplatz para saudar a proclamação da guerra, como retratado na fotografia tirada em 2 de agosto de 1914

Muitos dos homens, dentre eles Hitler, no mês de agosto, correram para os postos de alistamento. Devido à grande demanda e a falta de uma eficiente organização burocrática foram aceitos estrangeiros como voluntários no exercito bávaro.

No mês de setembro, Hitler teve seu pedido deferido, sendo enviado para o 16º Regimento de Infantaria da Baviera, que lutaria diretamente no front. Após um rápido e curto treinamento que durou apenas poucas semanas, o batalhão partiu para região dos Flandres: Finalmente chegou o dia de deixarmos Munique, a fim de nos apresentarmos ao cumprimento do dever […]. Em seguida veio a noite úmida e fria nos Flandres, durante a qual marchamos silenciosos […] (HITLER, 2005, p.125).

As primeiras experiências de Hitler no campo de batalha foram impactantes, seu batalhão fora reduzido drasticamente, […] de 3600 para 611 homens[…] (KERSHAW, 2005, p. 87). Hitler não sofreu nenhum ferimento durante os primeiros conflitos, seus relatos posteriores, e que podem ser considerados plausíveis, descrevem parte da campanha de batalha na região dos Flandres:

Hitler (direita) com seus companheiros mensageiros em 1915. O cachorro em destaque é seu companheiro Foxls.

Hitler no exército

Em seguida começou o pipocar da metralhadora, a gritaria, o estrondo da artilharia e, febricitante de entusiasmo, cada um marchava para a frente, cada vez mais depressa, até que, sobre os campos de beterraba, e, através das charnecas, começou a luta corpo a corpo. (HITLER, 2005, p. 124).

Hitler não menciona em Mein Kampf seu posto como mensageiro no exército, ele atravessava o front em meio aos tiroteios, para enviar mensagens na frente de batalha. Apesar das muitas baixas que sofriam os mensageiros, era muito mais seguro do que servir na frente de batalha, dentro das trincheiras. Devido a sua suposta competência de liderança com os demais camaradas do regimento, ele foi promovido a cabo e, pelo seu bom desempenho nos campos de batalha, em 2 de dezembro, recebeu a Cruz de Ferro como condecoração.

Entre os anos de 1915 e 1916, o 16º regimento mais conhecido por regimento List, travou duras batalhas nas trincheiras. Detendo as ofensivas britânicas e avançando poucos quilômetros até a região sul do Somme. Nesse local Hitler foi ferido na coxa, sendo transferido para o hospital. As ofensivas dos britânicos eram constantes, o regimento,desgastado pelas duradouras lutas para manter a região dos Flandres sob domínio alemão fora substituído e transferido para a Alsácia.

As mortes nos campos de batalha se sucederam, as ofensivas alemãs já não eram eficientes: Com as reservas exauridas e o moral em queda livre, o fracasso da ofensiva marcou o ponto em que a liderança militar alemã foi obrigada a reconhecer que a guerra estava perdida (KERSHAW, 2010, p. 93). Tornou-se cada vez mais frequente nas ofensivas contra os alemães o uso de gás mostarda. Perto da região dos Ypres, o regimento List foi vítima de um ataque britânico e Hitler teve uma cegueira momentânea, por conta de um dos sintomas que o gás mostarda causava em suas vítimas. Logo após ele foi transferido para o hospital militar de campanha:

Na noite de 13 e 14 de outubro, começou o bombardeiro a gás na frente sul Ypres. Empregava-se uma gás cujo o efeito ignorávamos ainda. Nessa mesma noite, eu devia conhecê-lo por experiência própria. Estávamos ainda na colina sul de Werwick, na noite de 13 de outubro quando caímos sobre um fogo de granadas que já duravam horas e eu se prolongou pela noite a dentro, de maneira mais ou menos violenta. Lá por volta de meia-noite, já uma parte de nossos companheiros tinha sido posta fora de combate, alguns para sempre. Pela manha senti tão bem uma dor, que de 15 em 15 minutos se tornava mais aguda e, às 7 horas da manha, trôpego e tonto, com os olhos ardendo, eu me retirava levando comigo minha ultima mensagem de guerra. Já algumas horas mais tarde, os meus olhos tinham se transformado em carvão incandescente. Em tono de mim estava tudo escuro. Foi assim que eu vim para o hospital de Pasewalk na Pomerânia e ali tive de assistir a revolução! (HITLER, 2005, p. 151).

 Hitler era conhecido pelos seus camaradas do regimento como um nacionalista fervoroso, acreditava que todo o sangue derramado não devia gerar sentimentos humanistas, mas sim que o sofrimento e o sacrifício eram necessários para livrar a Alemanha do internacionalismo e também dos seus inimigos externos; isto para ele, era mais importante que os ganhos territoriais.

Ainda no hospital de Pasewalk, vítima da cegueira temporária, Hitler recebeu a notícia de que a Alemanha havia perdido a guerra. Mesmo havendo um pouco de dramatização em seu relato, sua angústia pode ser evidenciada devido ao seu nacionalismo fanático:

 Quando o pastor procurou continuar e começou a comunicar que teríamos que acabar essa longa guerra que a nossa Pátria, agora que tínhamos perdido a guerra e estávamos sujeitos á misericórdia do inimigo, iria sofrer grandes opressões e que o armistício seria aceito dependendo da magnanimidade dos nossos inimigos – eu não me contive. Para mim era impossível permanecer onde estava. Comecei a ver tudo preto em torno de mim e cambaleando voltei ao dormitório. Joguei-me na cama e cobri a cabeça em fogo com o cobertor e o travisseiro. (HITLER, 2005, p.153).


[5]Frau Popp era a proprietária da residência onde Hitler alugou um quarto na Schileissheimerstrasse, número 34.
[6] O Arquiduque Francisco Ferdinando, membro da nobreza Austro-Húngaro foi assassinado em Sarajevo, em 28 de junho de 1914, vítima dos movimentos nacionalistas, que eram contra a aliança do império Austro-Húngaro com os eslavos.

Continua em: O Agitador de Cervejaria

# Ver referências bibliográficas

http://historiaeguerra.com/2011/03/12/referencias-bibliograficas/

Elaborado por Hugo Madeira Lamano

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~ por hugolamano em 11/03/2011.

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