A retomada Nazi

A história do Partido dos Trabalhadores Alemães teve um rumo diferente nos anos em que Hitler permaneceu preso até a sua liberação por bom comportamento, três anos após a sentença. Grande parte do apoio que ele conseguiu com outros grupos políticos de extrema direita foram rompidos, sendo que até mesmo o próprio partido foi dividido em várias alas. Após se tonaram rivais, entrariam em conflito constantemente.

Até janeiro de 1926, permaneceu inativo. O comando do partido não estava mais em suas mãos e sim era dirigido por terceiros. Isso lhe deu a oportunidade de iniciar o segundo volume de Mein Kampf. Hitler só retomaria ao comando do partido na conferência dos líderes do NSDAP. Nessa reunião atacou os membros de esquerda do partido nazista, além de críticar aos bolcheviques judeus, afirmando que os membros que não seguissem os principais pontos do partido, anunciados por ele no comício em 1920, seriam acusados de: traição com os que morreram acreditando em nossa idéia (HITLER, 2005, p.465). Outro fato determinante para o retorno da figura do líder, foi o sucesso do primeiro congresso do partido realizado depois do putsch, no qual Hitler demonstrou sua fidelidade ao partido, declarando que o programa de 1920 era imutável. Mais tarde, porém, os vinte e cinco pontos foram substituídos por ideais políticos retirados de seu livro Mein Kampf, demonstrando sua inconstância e sua falta de comprometimento.

O congresso do NSDAP em 1926. O retorno de Hitler como líder, com o tema “Tod dem Marxismus” (Morte ao Marxismo)

O congresso do NSDAP em 1926. O retorno de Hitler como líder, com o tema “Tod dem Marxismus” (Morte ao Marxismo)

Entre 1924 e 1929 a Alemanha encontrava-se em um período de estabilidade, parecia ter se recuperado da crise econômica. As produções foram retomadas e a economia voltou a crescer graças a grande quantidade de empréstimos feita pelos Estados Unidos, a partir do Plano Dawes. Os salários das massas trabalhadoras, porém, continuaram em baixa, mas, com a implantação do plano implantado pelo ministro das finanças Hajalmar Schacht, a inflação diminuiu, a economia foi estabilizada, a moeda foi revalorizada, o que gerou uma diminuição das agitações políticas e sociais decorrentes da crise em que se encontrava a Alemanha anteriormente.

 É importante destacar que o cenário político estava muito mais rígido. Os partidos moderado, comunista, social-democrata e do centro católico, tiveram um aumento no número de deputados. Naquele momento os movimentos extremistas da direita não tinham mais a crise que os favoreciam, o que pode ser evidenciado pelas eleições: O desempenho eleitoral ainda foi modesto em 1928, quando o NSDAP descera para o nono lugar em votos recebidos […] (LENHARO, 2002, p.22).

O ano seguinte seria promissor. A crise voltou a favorecer o NSDPA, que cada vez mais passou a se vincular com a burguesia, que contribuía financeiramente para o partido. Segundo Lenharo: Para sobreviver, o grande capital, patrocinava a tomada do poder pelos nazistas de tal modo que estes governassem para burguesia (LENHARO, 2002, p.24). Ainda faziam parte das fileiras nazistas a classe média, os operários com conhecimentos restritos, os operários especializados que recebiam os mais altos salários e os ex-oficiais da Primeira Guerra mundial que acreditavam em uma vingança pregada pelos nazistas aos antigos inimigos da Alemanha. O discurso nazista era mais absorvido por essas camadas da sociedade. O partido prometia aos trabalhadores melhores condições de trabalho, salários mais justos, participação nos lucros das empresas e, muitos acreditando nessas suas promessas políticas, contribuíram para o aumento do número do eleitorado.

Em Berlin, os funcionários do banco “Deutsche Bank für Beamte” mandam suspender os pagamentos devido a crash da bolsa em 1929

Em Berlin, os funcionários do banco “Deutsche Bank für Beamte” mandam suspender os pagamentos devido a crash da bolsa em 1929

O partido contou com um aumento significativo de militantes, que, de acordo com Lenharo (2002), atingiu o número de 1.414.000 eleitores em de 1932.

No mesmo ano, as eleições de julho mostraram o grande avanço nazista, que obtve 230 cadeiras no Reichstag, contra 133 dos social-democratas, 89 dos comunistas e 75 do centro católico. Após as eleições, os representantes do grande capital, a burguesia industrial, liderados por Thyssen, Krupp, Bosch, Siemens, Schacht e Von Schröder, passaram a pressionar o presidente Hindemburg para nomear Hitler, o presidente do Partido Nazista, como chanceler. Em 1933 Hindemburg não recusou o pedido da burguesia e encarregou Adolf Hitler como chanceler da Alemanha, dando a brecha necessária para um novo governo fosse formado.

Mesmo nomeado como novo chanceler alemão, Hitler e o NSDAP não tinham todos os ministros ao seu favor, porém possuíam o controle sobre os principais meios de comunicação, o que no futuro, foi vital para o fortalecimento de Hitler e o  início do domínio nazista na Alemanha.

Após assumir a chancelaria, decretou imediatamente a invasão das sedes dos sindicatos e os partidos políticos foram dissolvidos:

 Na Alemanha, as formas organizacionais da oposição política foram destruídas em seis meses. Dentro de mais seis meses, os vestígios remanescentes da autonomia regional- já efetivamente arrasada em poucas semanas depois de Hitler se tonar Chanceler – haviam desaparecido. E, no terceiro período de seis meses, a ameaça potencial que pairava dentro do próprio Movimento Hitlerista foi brutamente eliminada (KERSHAW, 1993, p.70).

 Um suposto incêndio ocorrido no Reichstag em 24 de fevereiro de 1933, foi utilizado por Hitler como estratégia para enfraquecer ainda mais a oposição socialista e comunista, ao afirmar que eles tinham ocasionado o incêndio. Após esse evento, o NSDAP havia conseguido grande quantidade de votos nos Länder nas eleições de 5 de março de 1933.

Nos estados onde foram eleitos representantes do partido nazista, ocorreu um processo de caça aos opositores políticos, que foram torturados e enviados para campos de concentração criados pelo líder da S.A Himmler:

 Em 20 de março, o chefe da policia de Munique, Himmler, anunciou o estabelecimento do primeiro campo de concentração, perto de Dachau. Campos similares brotaram em muitas partes da Alemanha, para a detenção de prisioneiros políticos – em sua maioria, comunistas e socialistas (KERSHAW, 1993, p.72).

 Esse foi o processo culminante para a eliminação da oposição de esquerda, que com a criação da Lei de Ratificação elaborada por Hitler, permitia ao governo aprovar leis sem a consulta do Reichstag. A partir desse momento todos os comunistas, ou estavam presos, ou fugiram. Na Alemanha o KPD vivia na clandestinidade. O fortalecimento dos governos totalitários, segundo Arendt, deveu-se também […] a falta de qualquer oposição suficiente organizada contra o regime como um todo (ARENDT, 1979, p.17).

O Incêndio do Reichstag em 24 de fevereiro supostamente atribuído a culpa para comunistas, foi utilizado por Hitler para enfraquecer ainda mais a oposição esquerdista.

O Incêndio do Reichstag em 24 de fevereiro supostamente atribuído a culpa para comunistas, foi utilizado por Hitler para enfraquecer ainda mais a oposição esquerdista.

Logo após a dissolução da esquerda, o Partido dos Conservadores Burgueses, que tinham de certa forma um ideal em comum com os nazistas, acabaram aderindo ao movimento. Outro motivo é de que eles não estavam em condições de confrontar Hitler. A violência imposta aos opositores esquerdistas deixou claro que qualquer tipo de organização contra os nazistas seria inútil.

No dia 14 de julho de 1933 foi estabelecido um governo unipartidário. A partir de então o NSDAP era o único partido legal da Alemanha. Hitler, incentivador dessas políticas extremamente radicais, afirmava que somente um movimento seria vigente na Alemanha: A lei natural de toda evolução não permite a união de dois movimentos diferentes, mas assegura a vitoria do mais forte e a criação do poder e da força do vitorioso, o que só se pode conseguir por meio de uma luta incondicional (HITLER, 2005, p.257).

Nesse mesmo mês passou a vigorar a lei de esterilização de doentes hereditários. E em setembro, artistas e intelectuais fugiram do país, perdendo sua liberdade de expressão e organização, já que a Câmara Cultural do Reich, sob controle de Joseph Goebbels, impedia qualquer tipo de manifesto. O exército passou para as mãos de membros de confiança dos nazistas. As decisões de Hitler eram sempre mantidas, por exemplo: ele mandou organizar a queima de arquivos públicos e livros, e ainda ordenou a saída da Alemanha da Liga das Nações

Com a morte de Hindenburg em 2 de agosto de 1934, Hitler apoderou-se do poder, tornou-se presidente e passou a se intitular líder, Führer. A partir daí, deu-se início na Alemanha uma política racista anti-semita:

O judeuzinho de cabelos negros espreita, horas e horas, com um prazer satânico, a menina inocente que ele macula com o seu sangue, roubando-a ao seu povo. Não há meios que ele não empregue para estragar os fundamentos raciais do povo que ele propõe vencer. Do mesmo modo que, segundo um plano traçado, vai corrompendo mulheres e criançinhas, também não recua diante do rompimento de barreiras impostas pelo sangue, empreendendo essa obra em grande escala, no país estranho. Foram e continuam a ser ainda os judeus que trouxeram os negros ate Reno, sempre com os mesmos intuitos secretos e fins evidentes, a saber: “bastardizar” à força a raça branca, por eles detestada, precipitá-lo do alto da sua posição política e cultural e elevar-se ao ponto de domina-lo inteiramente (HITLER, 2005, p. 240).

Os judeus perderam suas condições de cidadãos alemães, foram banidos de todos os cargos públicos, de exercer suas profissões e de fazer parte da atividade econômica do país.

No ano de 1933, foi realizado um boicote em todos os comércios de judeus na Alemanha. Neste cartaz fixado em um comercio judeu afirma: “Alemães defendam se! Não comprem dos judeus!”

No ano de 1933, foi realizado um boicote em todos os comércios de judeus na Alemanha. Neste cartaz fixado em um comercio judeu afirma: “Alemães defendam se! Não comprem dos judeus!”

Hitler conquistou todas as camadas sociais da Alemanha, tornou-se presidente e aplicou seus princípios ideológicos que se encontram sintetizados em seu livro Mein Kampf. A educação e outros aparelhos ideológicos foram utilizados por ele para inculcação das massas.

Dentro dessa corrente ideológica nazista, o expansionismo territorial era uma das importantes políticas, além da ambição em vingar a Alemanha da França e do desejo de exterminar o comunismo do leste europeu. O racismo e a superioridade da raça ariana (alemã) eram os principais princípios ideológicos que dentro desse mesmo pensamento racista acreditava:

Quanto à história nazi, tenta basear a síntese histórica numa realidade sociobiológica, a da raça. A sociedade não evolui nem segundo os desígnios de Deus, nem ao acaso, nem segundo a boa vontade de grandes homens, nem segundo imperativos econômicos em questão. Assim, certos grupos estão, consoante a sua natureza sociobiológica, predestinados à supremacia, outros à submissão. Ser equivale, então, a submeter-se a esta predestinação (HANNOUN, 1997, p.28)

A partir de 1934, Hitler deu início a sua grande obsessão, o rompimento do Tratado de Versalhes a que a Alemanha fora submetida no final da Primeira Guerra Mundial. Em 1935, foi instituído dentro da Alemanha, o alistamento militar obrigatório, que tinha sido proibido no Tratado de Versalhes, com isto Hitler passou a contar com um exército superior a 100 mil homens. A França e a Inglaterra estavam plenamente cientes sobre a formação de brigadas militares e a produção de armamentos bélicos, mas acreditavam que a Alemanha se voltaria contra seu inimigo comum, a União Soviética e não contra eles. A ameaça a que a Rússia sucumbe, pende perpetuamente sobre a Alemanha. A luta contra a bolchevização mundial exige uma atitude clara com relação à Rússia soviética. Não se pode afugentar o Diabo com Belzebu (HITLER, 2005, p.488).

O Tratado de Versalhes foi definitivamente quebrado quando a Alemanha ocupou a região da Renânia, formando um eixo militar com a Itália e a Espanha, ambas fascistas e anticomunistas.  Entre 1938 e 1945, o partido expandiu-se para fora da Alemanha, inicialmente nos países vizinhos e depois nos países não germânicos, provocando a Segunda Guerra Mundial.

 Continua em Conquistando as massas

# Ver referências bibliográficas

Elaborado por Hugo Madeira Lamano

Anúncios

~ por hugolamano em 06/04/2011.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s